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quarta-feira, 1 de julho de 2009

18 de julho: Lançamento do livro Inércia, de Marcos Vinícius Lima de Almeida


No dia 18 de julho, sábado, às 14h, o escritor luminarense Marcos Vinícius Lima de Almeida (foto) realizará o lançamento de seu primeiro romance, Inércia, pela editora carioca Multifoco. O evento faz parte da programação das comemorações da Festa de Aniversário do Município, e acontecerá no auditório da Escola Municipal Francisco Diniz.

O jovem de 26 anos, funcionário público da Prefeitura Municipal de Luminárias - MG, e graduando em Filosofia pelo UNIS/Varginha-MG, foi recentemente premiado na seletiva nacional da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. A seletiva de nível nacional, teve um total de 4428 obras inscritas, das quais, 245 foram selecionadas, um número recorde, segundo os organizadores das antologias. Juntamente com autores de todos os cantos do Brasil, o conto do autor compõe a antologia “Livro de Ouro do Conto Brasileiro – edição 2009”.

Além disso, Marcos Vinícius havia sido laureado no III Concurso de Contos da Universidade Federal de São João de Rei, no ano de 2008, concurso também de nível nacional e que conta com a participação de autores já consagrados. Em ambos os concursos, o conto premiado foi o “Ao pé da Serra” cuja temática regionalista mesclada a elementos da condição humana, a ambientação, e o linguajar estético mineiro nos remetem a prosadores como o imortal Guimarães Rosa.

Conta o autor: "Inércia conta a história de um sujeito comum: Juan, jovem estudante de Filosofia, vinte e poucos anos. Prestes a sair de casa para faculdade é surpreendido por um telefonema de sua ex-namorada. A partir daí, sua vida é passada a limpo, re-vivenciada através de uma narrativa não-linear e ágil, conduzida pelo fluxo de pensamento da personagem, oscilando entre dois ambientes e épocas fragmentadas de seu passado recente e remoto.
Luminárias, pequena cidade do sul de Minas Gerais, é palco de sua adolescência, do começo de seu namoro, das amizades da infância, de nostalgia. São João del-Rei, abriga sua vida conjugal corroída pela rotina, o amor esvaindo-se na solidão vivenciada a dois e o ambiente universitário. Entre cachaça e cigarro, Juan está diante do embate com a idade adulta, inerente à condição humana. Romance de estréia de Marcos Vinícius, esse livro de leitura agradável e ao mesmo tempo denso, inspirado na própria vida do autor, trata de questões que são comuns a cada um de nós. "

Leia também a entrevista com o autor.
Fonte: http://luminariasturismo.blogspot.com.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Memórias Iluminadas: lançamento do livro dia 30


A cidade de Luminárias, no sul de Minas Gerais, vai ganhar um presente diferenciado neste fim de ano. No próximo dia 30 (terça-feira) será lançado o livro Memórias Iluminadas, que traz a história do município narrada pelos moradores mais antigos, sendo que os mil exemplares produzidos da obra serão distribuidos gratuitamente para a comunidade e para cidades vizinhas. Foram 26 idosos entrevistados pelo projeto, que teve início em fevereiro de 2007. Os quase dois anos de pesquisa foram uma parceria entre a Prefeitura de Luminárias e a ONG Viraminas, com patrocínio do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Mians Gerais) e da Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Fundo Estadual de Cultura.

No livro, que tem 264 páginas, cada morador entrevistado tem um capítulo, em que narra sua trajetória em Luminárias. Os idosos receberam de três a quatro visitas da equipe de pesquisa do Memórias Iluminadas, formada pela turismóloga Andressa Gonçalves e pelo jornalista Paulo Morais. Alguns deles moram em locais afastados, na zona rural, a cerca de 30 quilômetros da cidade. Foi comum também a abordagem de pessoas que não sabem ler e escrever, não frequentaram escola, mas apresentaram uma experiência de vida e uma visão de mundo de fazer inveja aos mais letrados.

Cada idoso que participou do projeto contou sua história de vida e narrou situações do cotidiano de tipicamente rural de antigamente. Modos de fazer tradicionais, como queijo, cachaça, rapadura, trançado de bambu e couro, por exemplo, foram alguns dos pontos mais abordados nas conversas. As lendas antigas também foram muito citadas, tais como a mula-sem-cabeça, o saci, a mulher de três metros e o cavalo de três patas. O folclore aparece também nos divertidos causos da roça, que dão o ar da graça em diversas páginas do livro.

A obra traz ainda fotografias de Sansão Bogarim, que acompanhou a última rodada de visitas aos idosos. Os exemplares começam a ser distribuídos gratuitamente para a comunidade e também serão doados a bibliotecas públicas do interior de Minas. Ele também será publicado na Internet em versão PDF, podendo ser acessado em qualquer parte do mundo nos sites da prefeitura de Luminárias (www.luminarias.tur.br) e da Viraminas (www.viraminas.org.br).

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Expedição do Patrimônio Vivo – 10º Dia – Luminárias (MG) – Circuito Vale Verde e Quedas D’Água


Último dia de Expedição. Em parte cansados pelos 10 dias incessantes de pesquisa e, por outro lado, satisfeitos pelo bom resultado do projeto, saímos em busca de mais patrimônio vivo. O trabalho agora é em Luminárias, cidade de 5.350 habitantes, cujo nome é atribuído a pontos luminosos avistados na serra que circunda a cidade. A padroeira é Nossa Senhora do Carmo e o município é integrante do Programa Estrada Real. Quem nos contou esses detalhes foi o chefe do Departamento de Turismo e Cultura da cidade, Lincoln Daniel de Souza, um dos principais entusiastas do ecoturismo na região.
Quem nos indicou algumas pessoas para conversarmos foi a filha do nosso fotógrafo oficial, Maria Bogarim, que é enfermeira na cidade. Ela lembrou de seu vizinho, que até hoje faz fumo de rolo no quintal de casa. Fomos até lá conferir.
Primeira parada – 10h – Casa de seu Nico

Antônio Ferreira Mafra Filho, o seu Nico, é natural de Luminárias. Nasceu em 8 de fevereiro de 1932 numa fazenda chamada Lagoa. Assim que adentramos no quintal da casa dele, pudemos ver a quantidade enorme de folhas de fumo amontoadas sobre um pedaço de lona e três rolos enormes maturando sob o sol, o que indicava que a produção ali corria a todo vapor. Pedimos, então, pra que ele explicasse como funcionava o processo de fabricação artesanal, e ele foi logo adiantando: “pra dar um fumo bão, tem que plantar em terreno novo. Lugar de terra velha (muito plantada), não dá um fumo bão”.

Por aí, a conversa já demonstrava que estávamos diante de um produtor com o controle de qualidade aguçado. Com as mãos manchadas pelo manuseio, Seu Nico nos contou que, para a colheita das folhas, é necessário plantar os pés com a distância de meio metro entre cada um. Quatro meses é o tempo mínimo para retirar as folhas. A partir daí, o produtor tem que cortar o pé inteiro (a segunda colheita não é tão boa), colher as folhas, pendurá-las numa espécie de varal de bambu e deixar secar durante cerca de uma semana.


Então, é preciso tirar a tala central da folha. O que sobra vai para a roda de cochar fumo. “É até um servicinho maneiro de fazer. Vai rodando, rodando, e faz as cordas. Das cordas, a gente faz o novelo no burro (espécie de vara de madeira sustentada por um suporte e uma manivela para enrolar o fumo) e deixa no sol pra maturar”, explicou seu Nico. Cada novelo fica em torno de três meses tomando sol, e o mel do fumo é o responsável por dar a coloração escura. A partir daí, o produto já pode ser fumado, mas seu Nico prefere guardá-los em sacos plásticos por mais tempo (às vezes, chega a dez meses), para dar um melhor sabor.


Seu Nico nos contou que existem mais de 10 qualidades de fumo de rolo: gamelão, araçá, fumo de cheiro, língua de vaca e almeirão são alguns exemplos. Antigamente, havia vários produtores locais. Hoje, segundo seu Nico, quase não há mais quem se dedique ao serviço. Os clientes são todos da cidade, que pagam 30 reais pelo quilo do fumo curado. Há até alguns anos, compradores de cidades vizinhas apareciam para levar todo o estoque e revender, mas o cigarro de papel (industrial) vem acabando com a tradição dos produtores artesanais de fumo.

Esta época do ano, por causa do tempo seco, é ideal para a produção. Quando chove muito na estação, o fumo nasce mais fraco, o que não é do agrado de Seu Nico. Terminada esta parte da explicação, o produtor nos mostrou como enrola um cigarro de palha. “Tem que escolher uma palha clarinha, não pode ser de fora do milho, tem que ser uma palha do meio”, disse. Seu Nico tirou um pedaço de rolo que estava guardado há dois anos e picou alguns pedaços com um canivete afiado para enrolar. Ele nos ofereceu para experimentar e demos algumas pitadas para conferir o resultado. Nos despedimos satisfeitos com a dedicação do produtor e saímos para a próxima conversa.
Segunda parada – 11h08 – Casa de seu Delfino Diniz

O que nos trouxe à simpática casa desse senhor foi a curiosidade por mais uma tradição que os tempos fizeram sumir: a caça, atualmente proibida por lei. Seu Delfino Diniz nasceu em 15 de agosto de 1945 na fazenda do Mirante, em Luminárias, e é filho de Odilece Junqueira Diniz e Lana Lopes Diniz. Desde a infância, acordava às cinco horas da manhã para ajudar na tarefa de tirar leite.
Ele conta que o esporte da caça é uma tradição que começou com o avô, que passou para o pai, com quem ele aprendeu a gostar. Nos tempos em que a atividade ainda persistia, os colegas se reuniam a cavalo e saíam com cerca de 30 cachorros ao todo. Seu Delfino demonstrou preocupação em deixar claro que eles não matavam os animais que encontravam, normalmente pacas e veados. “A gente não levava nem um canivete. Se a gente matasse os bichos, ia acabar a nossa diversão do dia seguinte”, comentou. Iam de seis a oito caçadores, que levavam café e algumas quitandas para comer. A satisfação era ver a arruaça dos cachorros, e quando avistavam algum veado, afastavam os cães e liberavam a caça.

Seu Delfino reconhece que o número de animais silvestres caiu vertiginosamente na região, porém sustenta que isso é resultado da ação de agrotóxicos usados por fazendeiros nas plantações. Ele lembra que não é mais possível caçar devido à ação da polícia florestal, que, caso perceba o caçador acompanhado dos cachorros, já tem motivos para aplicar uma bela multa.
Perguntamos sobre causos engraçados dos tempos de caçador e ele nos brindou com uma lenda do folclore local. Um certo padre era adepto da caça e, num belo dia, resolveu sair com os colegas para uma boa diversão. Para surpresa geral, um capiau resolveu interpelar o pároco enquanto o grupo atravessava um pasto, querendo aproveitar a situação para se confessar ali mesmo. Sem ter como negar, o padre o levou para um cupim, onde iniciou os procedimentos eclesiásticos. Enquanto o matuto listava seus pecados, o padre observava de rabo de olho a movimentação dos cães. Estes, por sua vez, começam a ficar agitados, denunciando que uma presa estava por perto. De repente, os chifres de um veado surgem por detrás de uma moita e o pároco, na inocência, fala: “se adianta aí que o chifrudo está vindo!”. O capiau, com medo, foge como uma espoleta, pensando que se tratava da aparição da besta.
Depois de mais algumas risadas, nos despedimos de seu Delfino e seguimos para um agradável almoço na pousada Serra da Luz.
Terceira parada – 14h37 – Antiga casa de Messias Furtado Sobrinho (Sinhô)

Para encerrar com chave de ouro, fomos até uma das poucas casas antigas que ainda resiste ao tempo no centro histórico de Luminárias. Lá encontramos Terezinha Aparecida Furtado, de 64 anos, uma fervorosa devota de Santo Antônio e apaixonada pelas histórias locais. Tetê, como é conhecida, é filha de Messias Furtado Sobrinho e Maria do Carmo Silva. O pai foi seleiro, e trabalhava com encomendas de fazendeiros da região. Durante muitos anos, ele ainda foi regente da mais tradicional da cidade, a Banda Carmelitana, fundada em 1896. A mãe, dona de casa, teve nove filhos, todos nascidos na casa onde estávamos, pelas mãos de parteiras.
Emocionada, Tetê nos contou sobre a Tradicional Festa de Santo Antônio, comemorada ininterruptamente desde a década de 50, todo dia 13 de junho. “Toda a vida mamãe teve muita fé. A minha avó Marica já contava para ela desde pequena histórias sobre Santo Antônio e ela contava para a gente. Ao invés de contar historinhas de princesas, mamãe contava a vida de Santo Antônio. Então desde pequenininha eu também tenho muita fé, e passo isso para os meus netos.”
Segundo Tetê, as primeiras festas aconteceram na porta de sua casa. O fiéis rezavam o terço e as crianças ganhavam canjica e brincavam ao redor da fogueira. “Depois que o padre Waldyr chegou, ele sempre incentivou minha mãe a fazer a festa, que continua até hoje. Quando mamãe morreu eu comecei a tomar conta. E a festa está cada dia mais bonita.”
A tradição de rezar o terço em homenagem a Santo Antônio ganhou força e hoje acontece, religiosamente, toda terça feira. No início, sem telefone para avisar os vizinhos, Dona Maria do Sinhô saía na rua batendo panela. Esse era o sinal de que estava na hora do terço. Apesar de devota, a mãe de Terezinha era cautelosa na hora de apelar para o santo. “Quando sumia alguma coisa aqui em casa a gente já ia acendendo uma vela para Santo Antônio, mamãe falava: não incomoda o santo com coisa pequena!”, lembra, saudosa.

Outra tradição mantida por Tetê são as coroações de Nossa Senhora do Carmo, anualmente realizada com crianças da comunidade. O ritual teve origem com a primeira professora da comunidade, Judith Amália Fábregas, que depois passou a responsabilidade de ensaiar as crianças para Dona Maria do Sinhô. Esta por sua vez entregou os ensinamentos para sua filha, Tetê, que já os transferiu para uma professora do município, Amália Amaral.
Encerramos a conversa com um breve comentário sobre os dias de hoje. “Eu tenho dificuldade de reunir as meninas, porque a maioria diz que não tem tempo para isso. Mas eu vou na praça e vejo elas de beijo e abraço com os namoradinhos. Deste jeito, não tem com ter tempo mesmo, né?”, disse, rindo.
Com essas palavras, terminava a Expedição do Patrimônio Vivo. Ficamos por aqui na certeza do dever cumprido e na expectativa de que os relatos tenham servido para provocar em todos que nos acompanharam alguma reflexão sobre as mudanças acontecidas nas últimas décadas. Nos despedimos honrados por termos encontrado pessoas tão iluminadas que, por força de vontade, conseguem manter vivo o nosso patrimônio cultural nos tempos modernos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Começa segunda fase do projeto "Memórias Iluminadas"


Começa na próxima segunda-feira, 10 de dezembro, a segunda fase do projeto "Memórias Iluminadas: uma reconstrução participativa da identidade cultural de Luminárias", inciativa da Viraminas em parceria com a Prefeitura Municipal de Luminárias. O trabalho é financiado pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e pelo Governo de Minas, por meio do Fundo Estadual de Cultura.

Na primeira fase, os pesquisadores entrevistaram 26 idosos da comunidade. Entre eles, Nagib Murad (foto), de 88 anos, testemunho vivo da imigração libanesa para o Brasil, que chegou em Luminárias aos três meses de idade e mantém praticamente intacta a mesma loja há 50 anos.

Cada um relatou, a seu modo, costumes, lendas, tradições e hábitos do cotidiano antigo da cidade. O trabalho será um importante registro da história de vida dessas pessoas e do patrimônio imaterial de Luminárias. Este será o primeiro registro do tipo no cidade, que tem 5.300 habitantes e fica na região Sul de Minas Gerais.

Nesta segunda fase, os entrevistados receberão novamente a visita dos pesquisadores, para confirmar os dados levantados e buscar novas informações. As conversas serão editadas e publicadas em livro. Será produzida ainda uma coleção de cartilhas para estudantes do primário, com temas ligados ao patrimônio imaterial, tais como artes e ofícios, lendas, causos, festas tradicionais e personagens típicos.

O objetivo da coleção de cartilhas não será transmitir um conhecimento engessado aos estudantes, mas sim motivar os professores da comunidade a ampliar os horizontes do ensino, buscando integrar o ambiente escolar com o mundo externo. O projeto Memórias Iluminadas é amparado legalmente pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pelo Estatuto do Idoso e tem ainda como base a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, documento publicado em 2003 pela Unesco.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Boa notícia


O projeto Memórias Iluminadas, montado pela equipe da Viraminas para a cidade de Luminárias, foi aprovado no Fundo Estadual de Cultura.

A expectativa é de que no primeiro semestre do ano que vem tudo esteja concluído. Vocês serão informados por aqui de todo o andamento do projeto.

terça-feira, 24 de julho de 2007

A memória de Luminárias


Sabe aquelas histórias que o vô da gente conta quando os primos estão reunidos? Os casos, ou causos, na linguagem popular, que os mais velhos contam são recheados de boas histórias, personagens, lendas e outros detalhes que só os mais experientes conheceram e que despertam a curiosidade de qualquer um.

Pode até não parecer, mas histórias simples do dia-a-dia contadas pelos mais velhos conseguem, quando reunidas, contar a história de um local, de uma cidade ou mesmo de uma região.


E são esses causos que foram catalogados na primeira fase do projeto Memórias Iluminadas, executada em Luminárias entre fevereiro e maio deste ano. Foram entrevistados 25 personalidades da cidade, todos nascidos entre 1911 e 1939. Alguns foram entrevistados juntos, como no caso dos irmãos Abigail e Jair e dos casais Nagib e Dalva e Antônio e Júlia (foto).


Há relatos de tudo quanto é tipo. O padre Waldyr, por exemplo conta tudo sobre a religião. O ex-carapina (espécie de carpinteiro) Oliveira conta as histórias do tempo em que essa profissão ainda existia. Seu Geraldo Neco (foto), no auge dos seus 96 anos, tomou sua cachacinha diária para contar histórias do tempo em que trabalhava tirando pedra com marreta das pedreiras da cidade. Seu Zé do Sílvio conta os causos divertidos dos mutirões de limpar roça. Seu Clece e seu Bibe dão versões políticas aos fatos que marcaram a cidade. Seu Toninho lembra dos tempos em que a mãe tinha a única pensão da cidade.


E assim vai indo. Seu João Oscar conta dos caçadores de veados, dona Iolanda Melo lembra das luzes na serra, seu Valdemar disserta sobre os curadores e raizeiros que tinha na cidade, dona Lucy (foto) fala da época das quadrilhas e das rodas de cavaquinho lotadas no quintal de casa.


Todos esses e vários e vários e vários outros causos estarão no livro Memórias Iluminadas, uma leitura da história de Luminárias contada pelos moradores mais antigos do município. Os entrevistados foram indicados pelos próprios moradores da comunidade. Será deles a chance de contar o que aconteceu na cidade de modo livre, divertido e sem amarras.


Um exemplo, só para degustação, com o trecho da entrevista do seu Zé do Sílvio:


Mentiroso aqui tinha. O grandioso foi o Zé Almeida. Ele levava queijo de fábrica no cargueiro daqui pra Estação de Carrancas. O Zé Almeida fez o seu Abílio, que morava perto da estação de Carrancas, sair de lá pra vir no enterro do seu Manoel Furtado aqui em Luminárias. E, ao mesmo tempo, fez o seu Manoel sair pra ir no enterro do seu Abílio. Os dois homem encontraram no meio do caminho. Ele passou na fazenda do seu Abílio e falou pra ele:
- Ó, o Seu Manoel Furtado morreu, o enterro é lá em Luminárias tantas horas.
E tocou e veio depressa, passou na fazenda do Seu Manoel e falou:
- Ó, o seu Abílio morreu e o enterro é em Carrancas tantas horas.
Os dois veio e pegou o cavalo e encontraram no meio do caminho. Eu acho que avistaram de longe, mas como se diz, eles logo desconfiaram porque o histórico do Zé Almeida ia longe!


O projeto foi inscrito no Fundo Estadual de Cultura. O resultado sai em meados de agosto. Será publicado o livro de causos, que estará disponível também na internet. Quem se interessou, agora é só esperar.