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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Projeto Mutirão de Histórias de Vida: exposição começa dia 30

Reta final dos preparativos para a exposição de textos e imagens "Descobrindo Palavras que Formam Pessoas", que faz parte do projeto Mutirão de Histórias de Vida. Fruto de uma parceria entre a Viraminas, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Espaço de Conviver Cultura e Lazer na Casa de Saúde Santa Fé e o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), o trabalho registrou histórias de vida de 17 moradores da comunidade de Santa Fé com o objetivo de reintegrá-los à comunidade tricordiana e provocar a reflexão acerca do isolamento a que elas foram condenadas.

Ainda em fase final de planejamento, a abertura da exposição está agendada para o dia 30 de outubro (quinta-feira) na Casa de Saúde Santa Fé. Os visitantes irão conhecer trechos da história de vida de moradores como José Paulino da Silva (foto), sendo que o tema doença ficará em segundo plano. Com isso, pretende-se colocar em evidência momentos de alegrias, conquistas e vitórias dessas pessoas e deixar de lado o estigma de doente que tanto marcou a vida delas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mutirão contra o preconceito mobiliza Três Corações


“Naquele tempo, aqui tinha muita coisa. Tinha cinema, passava os filmes do Mazzaropi. Tinha música também. Eu mesma fazia parte do conjunto, tocava sax. Tinha 13 pessoas na banda, e a gente apresentava nos bailes que tinha aqui. No Carnaval, tocava três dias direto, sem parar.” Estas revelações poderiam sair de qualquer idoso contando sobre a vida no interior de Minas. No entanto, as frases foram ditas pela ex-enfermeira Aparecida Nadaletti, moradora de um lugar estigmatizado pela doença e visto como sombrio e tenebroso por boa parte dos tricordianos: a antiga Colônia Santa Fé, atualmente Casa de Saúde Santa Fé. O local, que atualmente abriga um centro de reabilitação de idosos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), funcionou durante anos como o local onde hansenianos de várias cidades eram mantidos isolados do convívio com a sociedade.



Aparecida foi apenas um dos quatorze ex-hansenianos entrevistados pelo “Mutirão de Histórias de Vida – Descobrindo palavras que formam pessoas”, que aconteceu neste último sábado e domingo em Três Corações. O projeto, uma parceria entre a Viraminas Associação Cultural e o Espaço Cultura e Lazer da Casa de Saúde Santa Fé, reuniu 15 voluntários, de diversas profissões e idades, em torno do objetivo de registrar a memória de moradores da comunidade de Santa Fé. A proposta era de mostrar que as pessoas que viveram ali não eram apenas portadores da hanseníase, mas também tinham vida social e cultural, trabalhavam e se divertiam. “Nossa proposta é mostrar as coisas boas que aconteceram na vida dessas pessoas. Tirar delas a visão de que a vida foi apenas sofrimento e com isso levantar a auto-estima delas”, afirma o coordenador do projeto, o jornalista Paulo Morais, da Viraminas.

Além dos bailes e da banda de música, uma série de outras revelações surgiram pelas entrevistas. A comunidade de Santa Fé já teve dois times de futebol, grupos de teatro, encenações da paixão de Cristo, barbeiro, cabeleireiro, dentista, missas, casamentos, cadeia. Todos os profissionais da comunidade eram hansenianos, pois, segundo os moradores, as pessoas de fora da Colônia não tinham coragem de trabalhar no local. O isolamento acabou por transformar os moradores (que já chegaram a quase cinco mil), numa grande família, em que todos se ajudavam.

O fotógrafo Sansão Bogarim registrou o trabalho, e uma exposição de textos e imagens será montada ainda no mês de setembro, mostrando para a comunidade tricordiana trechos das entrevistas coletadas, amplificando os bons resultados do projeto e colaborando para desmistificar a aura negativa que, para muitos, ainda paira sobre Santa Fé. “Quando se fala de Santa Fé, muitas vezes só se fala em doença. Esse trabalho vem para dar uma nova significação a este espaço, para mostrar que existe muito mais o que se mostrar dessa comunidade”, explica o coordenador do Espaço Cultura e Lazer, Sidney do Carmo.

Entre os envolvidos com o projeto, a sensação foi de dever cumprido. “Santa Fé tem muita história para contar, e precisava deste projeto”, avalia Rosa Leite, antiga moradora do local e militante do movimento dos ex-hansenianos. A exposição fotográfica terá início na primeira quinzena de setembro. Nos meses seguintes, irá circular pela cidade de Três Corações e ainda será levada para outras ex-colônias de Minas Gerais.

Rádio Tropical
A equipe de coordenação do projeto Mutirão de Histórias de Vida esteve nesta última segunda-feira (25/8) na Rádio Tropical apresentando os bons resultados do projeto. A reportagem foi ao ar nesta terça e pode ser ouvida no site da Tropical.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mutirão vai registrar histórias da comunidade de Santa Fé


Nos dias 23 e 24 de agosto, profissionais das áreas de arquitetura, medicina, psicologia, turismo, biologia, administração, farmácia e comunicação, dentre outros, estarão reunidos na Casa de Saúde Santa Fé (antiga Colônia Santa Fé), em Três Corações, para um projeto de valorização da memória dos moradores do local. Trata-se do Mutirão de Histórias de Vida, projeto da Viraminas Associação Cultural em parceria com a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (FHEMIG).
Nos dois dias de mutirão, serão montadas seis equipes que irão entrevistar, cada uma, três moradores da comunidade de Santa Fé. Tudo será gravado em áudio. O fotógrafo Sansão Bogarim acompanhará os trabalhos e uma exposição fotográfica será montada nas dependências da Casa de Saúde, com o intuito de reforçar o combate ao preconceito.
As histórias registradas servirão de base para a elaboração de um amplo projeto de valorização cultural do lugar, com o intuito de reintegrar os ex-hansenianos à comunidade e desmistificar a aura negativa que incide sobre a comunidade de Santa Fé. O mutirão tem início no dia 23 às 8h e termina no domingo às 15h.
Transmissão A Hanseníase é uma doença bacteriana, transmitida após o contato íntimo com algum portador por, pelo menos, cinco anos. Quando entra em tratamento, a pessoa não transmite mais a doença. Porém, durante séculos, os portadores eram tratados com isolamento e discriminação, graças à desinformação e ao medo que os chamados “sadios” tinham de ser contaminados.
A Colônia Santa Fé, em Três Corações, era um dos locais em que os portadores da hanseníase eram internados. Retirados da família, os internos de Santa Fé não podiam, sequer, criar os próprios filhos, que eram encaminhados da mesa do parto diretamente para orfanatos.