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sábado, 31 de janeiro de 2009

Memória Oral no FSM 2009


No segundo dia de atividades auto-gestionadas do Fórum Social Mundial da Amazônia, a Viraminas promoveu o debate Memória Oral, a democratização da história, em que relatou a experiência dos projetos de registro da tradição oral nos munípios do Sul de Minas Gerais e discutiu formas de atuação com os participantes. Cerca de 80 pessoas - algumas sentadas no chão - tomaram a sala do Pavilhão Q da UFPA, onde aconteceu o seminário. Estavam presentes estudantes de história, ciências sociais e filosofia, além de mestrandos, mestres e doutorandos em antropologia e ciências afins.

A palestra teve três horas de duração. No início, os participantes se apresentaram e narraram algumas de suas lembranças de infância. A divertida estratégia, que arrancou risadas do público em alguns depoimentos, serviu para mostrar a facilidade que existe para se iniciar um projeto de memória oral.

Em seguida, relatamos a experiência do projeto Memórias Iluminadas, na cidade de Luminárias. Os participantes ouviram atentos à explicação e fizeram diversas perguntas. Os critérios de edição para transformar os depoimentos no texto do livro foi um dos questionamentos mais comum. O projeto Mutirão de Histórias de Vida, realizado na ex-Colônia Santa, foi apresentado em seguida e, logo após, foi a vez da Expedição do Patrimônio Vivo.

Já no fim, houve uma pergunta sobre o nome Viraminas e se estávamos dispostos a montar projetos em outros estados. Explicamos que o objetivo atual da Associação é formar agentes de memória em diversos cantos do País, para que as próprias comunidades possam registrar a história oral. Ao final, ficamos conhecendo a iniciativa do grupo italiano Histórias de um Mundo Possível, que trabalha com autobiografias e tem diversos parceiros espalhados pelo mundo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Viraminas no FSM'09 - Belém (PA)

Começou ontem, aqui em Belém, a nona edição do Fórum Social Mundial. Pelo que li na manchete do jornal O Liberal, são mais de 90 mil inscritos. O movimento que vimos nas ruas, no aeroporto, na rodoviária e na UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) confirma essa estatística. É muita gente, e gente de todos os tipos. Essa foi a primeira impressão ao chegar à capital paraense. A segunda - já esperada - é o calor. A gente sente a umidade o tempo todo - basta uma caminhadinha de um quarteirão.
Pela manhã, houve uma manifestação liderada pelos povos indígenas na UFRA. Chegamos ao local por acaso e acabamos participando do desenho humano que se fez no campo de futebol.

Nesta terça (27), aconteceu a marcha de abertura do evento. Foi uma festa. Militantes de diversas causas - economia solidária, movimento GLS, petróleo do pré-sal, extinção do trabalho escravo, meio ambiente, libertação da palestina, reforma agrária, respeito aos povos indígenas - se misturavam uns aos outros. Cada um estava ali por um motivo, mas todos pelo mesmo. Era a igualdade na diversidade. As questões da Amazônia e da Palestina, entretanto, lideravam o ranking do número de militantes. Os sindicatos também são presença muito marcante, bem como os partidos de esquerda. Os políticos aproveitam o cortejo para um corpo a corpo com a multidão. Heloísa Helena, Chico Alencar (PSOL), Nilmário Miranda (PT) e Paulinho da Força Sindical (PDT) são alguns que encontramos por aqui.

Mas talvez o ponto que mais tenha ganhando a nossa atenção foi o fato de que, sem dúvida, este é o fórum com a maior cobertura de todos os tempos. A enorme quantidade de câmeras e filmadoras que acompanhou a marcha mostra o quanto, atualmente, a descentralização da mídia faz parte de um outro mundo possível. A cada segundo, fotógrafos anônimos, repórteres, e profissionais de redes independentes surgiam de algum lugar registrando tudo. Para quem se dedicou a registrar a festa, o que não faltaram foram situações interessantes de se fotografar. Sem mais para o momento, eis algumas delas.



Hoje é o dia da Pan-Amazônia no Fórum. Alguns debates sobre o tema vão acontecer nas duas universidades que abrigam o evento. Amanhã começam as atividades auto-gestionadas, aquelas propostas pelas organizações que se inscreveram. São quase duas mil atividades, entre palestras, seminários, reuniões e mesas de diálogo. Os temas contemplam toda essa diversidade observada na marcha. Belém promete.