Desde algum tempo estamos tendo, na Viraminas, o cuidado de postar sobre tudo quanto é publicação que chega às nossas mãos. O fato de estarmos na rede de Pontos de Cultura nos põe em contato com muita gente, que talvez jamais teríamos a oportunidade de saber que existem se não fosse pelos encontros, como as Teias e o Brasil Memória em Rede. Por isso, toda vez que voltamos de algum encontro com outros produtores culturais voltamos com as mochilas cheias de revistas, livros, devedês e coisas do gênero.
Quem nos presenteou na Teia Fortaleza com um belo exemplar de revista foi o pessoal do Instituto Kinoarte, de Londrina, Paraná. A publicação foi premiada no último edital de Pontos de Mídia Livre e estava presente no local para o encontro com outros beneficiados pelo edital do MinC.
A primeira coisa que vale destacar é o projeto gráfico da revista. Nada padronizado, o layout mistura um formato diferente (algo como um A5 meio de lado) com fotos absolutamente surreais e montagens que fazem a revista respirar mesmo com a profundidade dos textos. A impressão é numa espécie de papel cartão, mais grosso, e colorida em todas as 52 páginas. A qualidade do design da revista faz jus ao conteúdo. Quem assina a edição geral é Rodrigo Grota.
O exemplar com o qual fomos brindados em Fortaleza é a quarta edição, do verão 2009. Destaque para um texto interessante sobre a história do cinema em Londrina. A matéria atribui ao japonês Hikoma Udihara (1882-1972) o título de pioneiro do cinema londrinense. Não, o japa em questão não era um artista visionário ou um documentarista estrangeiro em visita ao Brasil. Udihara era um corretor de imóveis e registrou as primeiras imagens em movimento para fazer propaganda da cidade a outros colonos japoneses, com os quais tinha negócios a tratar. Das lentes operadas por ele, saíram 10 horas de película, produzidos em 124 filmes curtos e em 37 anos de operação.
Já bem mais à frente, lá pela página 44, a Taturana revela a pluralidade intencional do conteúdo pela reportagem de Edu Reginato sobre o cinema pornográfico do leste europeu. Em um texto bem esclarecedor, o autor Edu Reginato desmistifica a ideia do pornô como estética trash e o coloca num patamar quase que de uma arte libertária. Mas não deixa de ser engraçado ler sobre a opção do mais famoso ator pornô do mundo, John Stagliano, de filmar em Budapeste. A capital húngara estava ganhando status na cinematografia pornô pelo exotismo e excelente "preparo físico" de suas atrizes e acabou ganhando uma boquinha com o diretor e ator da série Buttman Adventures.
A Taturana tem a grande vantagem das revistas de qualidade: não se esgotam em minutos. A edição que está conosco ainda será dissecada com mais cuidado, aos poucos. E, para quem se interessou, as edições da revista podem ser lidas na íntegra na rede social Issuu.com. Para quem é cinéfilo, pesquisador, fã do cinema pornô húngaro ou só mesmo um curioso, vale a pena passar por lá.
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domingo, 11 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Imigração, América Latina, Reforma Urbana: Revista Global Brasil convida à reflexão
Durante o encontro nacional dos Pontos de Cultura, ficamos conhecendo muitas iniciativas de gente que faz comunicação e cultura pelo Brasil afora. Várias destas iniciativas jamais conheceríamos se não fossem por eventos como este, que promovem a troca de experiências e conhecimentos. Ponto para o programa Cultura Viva.
Uma das principais características deste programa, criado no governo Lula, é o reconhecimento da interdependência entre Cultura e Comunicação, algo levantando já na primeira Conferência Nacional de Cultura, em 2006. Embora tenhamos um ministério das Comunicações voltado ao interesse corporativo dos grandes conglomerados de mídia, o governo brasileiro estabeleceu, por meio do Ministério da Cultura, um programa de fomento aos veículos de comunicação alternativos - as chamadas Mídias Livres.
Um dos beneficiados pelo programa Cultura Viva foi a revista Global Brasil, produzida pela ONG Universidade Nômade, do Rio de Janeiro. Fiquei com um exemplar, de número 11, com esta capa que vocês estão vendo ao lado. A revista é de 2009, mas poderia ter sido lançada ontem, tamanha a atualidade dos assuntos tratados por ela. Como os artigos são de assuntos que a gente não encontra na mídia tradicional, parece que é tudo novidade. Como sintoma comum da mídia alternativa, a periodicidade varia com o tempo. Não há anunciantes. O projeto gráfico é diferente do que estamos acostumados nas revistonas semanais: o papel não é couchê, não há páginas inteiras dedicadas a notinhas de três linhas, os colunistas tem menor destaque do que o assunto de que tratam.
Os textos são densos, você se embrenha num assunto que vai exigir reflexão e postura crítica. Por exemplo, a reportagem O Brasil, as migrações e a nova lei de estrangeiros trata sobre o tratamento que o governo Lula deu à questão da migração durante as últimas duas gestões do governo federal. Foi criada a Rede de Brasileiros e Brasileiras no Exterior e as Conferências de Brasileiros no Mundo, para compreender os desafios e dar apoio à população tupiniquim que se muda para outros países. O texto fala ainda da imigração seletiva na Europa: mesmo para ocupar postos de trabalhos menos qualificados, o Velho Mundo aceita apenas imigrantes com títulos universitários. Em comparação, o Brasil regularizou recentemente os estrangeiros que fixaram residência no País até fevereiro de 2009, beneficiando de 150 mil a 200 mil pessoas e dando uma resposta a países como os Estados Unidos, que refutam a ideia de abrir as fronteiras para o mundo.
Outro assunto abordado que me chamou à atenção foi o texto de Salvador Schavelzon sobre a nova constituição boliviana. Este tipo de assunto nos é apresentado pela televisão, mas com a abordagem de que se trata de tentativas dos líderes sul-americanos de se perpetuarem no poder. O que a revista nos traz é um panorama mais complexo da situação política boliviana, apresentando o processo de negociação envolvendo o governo do presidente Evo Morales. A partir da nova carta, o País tornou-se um Estado Unitário Social de Direito Plurinacional Comunitário. Isso significa que a pluralidade passa a ser reconhecida como identidade nacional e as regiões terão mais autonomia administrativa. Os povos indígenas também ganham autonomia, inclusive com o reconhecimento legal de suas lideranças.
Um manifesto entusiasmado de Fabiano Nunes sobre a urgência da reforma urbana no Rio de Janeiro e uma crônica de Pedro Moreira Lima sobre a conexão entre o morro e o asfalto também fazem parte do corpo da revista. São textos mais curtos, mas que tampouco deixam de lado a necessidade de reflexão, mas deixam o leitor dar uma respirada num momento mais leve. Todo o texto da edição pode ser encontrada no sítio da revista. Fica a indicação.
Uma das principais características deste programa, criado no governo Lula, é o reconhecimento da interdependência entre Cultura e Comunicação, algo levantando já na primeira Conferência Nacional de Cultura, em 2006. Embora tenhamos um ministério das Comunicações voltado ao interesse corporativo dos grandes conglomerados de mídia, o governo brasileiro estabeleceu, por meio do Ministério da Cultura, um programa de fomento aos veículos de comunicação alternativos - as chamadas Mídias Livres.
Um dos beneficiados pelo programa Cultura Viva foi a revista Global Brasil, produzida pela ONG Universidade Nômade, do Rio de Janeiro. Fiquei com um exemplar, de número 11, com esta capa que vocês estão vendo ao lado. A revista é de 2009, mas poderia ter sido lançada ontem, tamanha a atualidade dos assuntos tratados por ela. Como os artigos são de assuntos que a gente não encontra na mídia tradicional, parece que é tudo novidade. Como sintoma comum da mídia alternativa, a periodicidade varia com o tempo. Não há anunciantes. O projeto gráfico é diferente do que estamos acostumados nas revistonas semanais: o papel não é couchê, não há páginas inteiras dedicadas a notinhas de três linhas, os colunistas tem menor destaque do que o assunto de que tratam.
Os textos são densos, você se embrenha num assunto que vai exigir reflexão e postura crítica. Por exemplo, a reportagem O Brasil, as migrações e a nova lei de estrangeiros trata sobre o tratamento que o governo Lula deu à questão da migração durante as últimas duas gestões do governo federal. Foi criada a Rede de Brasileiros e Brasileiras no Exterior e as Conferências de Brasileiros no Mundo, para compreender os desafios e dar apoio à população tupiniquim que se muda para outros países. O texto fala ainda da imigração seletiva na Europa: mesmo para ocupar postos de trabalhos menos qualificados, o Velho Mundo aceita apenas imigrantes com títulos universitários. Em comparação, o Brasil regularizou recentemente os estrangeiros que fixaram residência no País até fevereiro de 2009, beneficiando de 150 mil a 200 mil pessoas e dando uma resposta a países como os Estados Unidos, que refutam a ideia de abrir as fronteiras para o mundo.
Outro assunto abordado que me chamou à atenção foi o texto de Salvador Schavelzon sobre a nova constituição boliviana. Este tipo de assunto nos é apresentado pela televisão, mas com a abordagem de que se trata de tentativas dos líderes sul-americanos de se perpetuarem no poder. O que a revista nos traz é um panorama mais complexo da situação política boliviana, apresentando o processo de negociação envolvendo o governo do presidente Evo Morales. A partir da nova carta, o País tornou-se um Estado Unitário Social de Direito Plurinacional Comunitário. Isso significa que a pluralidade passa a ser reconhecida como identidade nacional e as regiões terão mais autonomia administrativa. Os povos indígenas também ganham autonomia, inclusive com o reconhecimento legal de suas lideranças.
Um manifesto entusiasmado de Fabiano Nunes sobre a urgência da reforma urbana no Rio de Janeiro e uma crônica de Pedro Moreira Lima sobre a conexão entre o morro e o asfalto também fazem parte do corpo da revista. São textos mais curtos, mas que tampouco deixam de lado a necessidade de reflexão, mas deixam o leitor dar uma respirada num momento mais leve. Todo o texto da edição pode ser encontrada no sítio da revista. Fica a indicação.
sábado, 27 de março de 2010
Hegemonia e contra-hegemonia: quem somos a mídia livre e quem são os inimigos?
Terminou agora há pouco o segundo dia da discussão envolvendo os Pontos de Mídia Livre. Com a presença de mais iniciativas premiadas pelo Ministério da Cultura no edital de mídia alternativa de 2009, o debate foi precedido pela apresentação de experiências. Um relato interessante foi o do grupo de teatro de rua Contadores de Mentira, que lançou sua TV com recursos do Prêmio. O pessoal faz humor nas ruas do interior de São Paulo, com personagens que entrevistas pessoas simples, mas menosprezam a si mesmos e não ao cidadão comum.
Outra iniciativa interessante é a da TV Ovo, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O pessoal relatou a experiência com a criação de uma rádio comunitária que circula nos ônibus da cidade, chegando a 15 mil pessoas diariamente. O conteúdo é produzido por jovens treinados pelo Ponto de Cultura, que se reúnem semanalmente para a reunião de pauta.
Uma iniciativa que eu conhecia superficialmente pela televisão também estava presente: o programa Quiproquó, exibido pela Rede Minas e produzido pela OSCIP Instituto Dubem. Trata-se do único programa jornalístico de televisão que noticia exclusivamente o tema teatro. Além de Minas Gerais, a produção é chega a outros estados como Paraná e Distrito Federal por algumas tevês públicas. Em 2009, mesmo aprovado pelas leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura, o projeto correu o risco de parar pela falta de patrocínio e se manteve graças ao recurso do prêmio de mídias livres.
A discussão que se seguiu após as apresentações foi marcada por algumas dualidades que se estabeleceram. Um exemplo: até que ponto estamos debatendo mídias livres se ficarmos presos na crítica ao modelo tradicional de mídia? Se elencarmos Estadão, Folha, Globo e Abril como os Judas da comunicação e centrarmos o debate em torno da crítica aos métodos e conteúdos destas instituições, estaremos apenas combatendo um modelo e não propondo a construção de um novo.
A questão é um pouco mais complexa, pois, na sociedade altamente mediatizada em que a gente vive, é muito complicado propôr uma nova ação de midialivrismo sem contestar e estabelecer a comparação com a mídia hegemônica tradicional. Porém, aceitar que estamos à margem de uma estrutura centralizada de comunicação é também negar que existe um outro centro, que pode se fortalecer a partir da tão falada articulação em rede.
Cabe destacar que o debate foi marcado pela presença de gente de peso nessa discussão, como a professora Ivana Bentes, da UFRJ, e o jornalista Renato Rovai, da revista Fórum. Este último levantou o discurso otimista, sustentando que o momento de discussão sobre mídias livres é único, algo impensado mesmo no início desta década.
Ao fim da discussão, o articulador do Pontão iTeia, Pedro Jatobá, interviu após a discussão sobre hegemonia e contra-hegemonia. Ele comentou sobre um tema que já levantamos neste blog, sobre a centralização das informações no Google. Ele lembrou que existe uma cláusula nos termos de adesão aos serviços gratuitos, como o Youtube, dizendo que o Google pode se apoderar dos direitos patrimoniais de todas as obras veiculadas no seu megaportal de vídeos. Ou seja, damos o direito a eles de comercializarem as obras que produzimos.
Ficou registrado, por fim, o conflito, pois todos concordaram nos riscos da hegemonia do Google, mas relataram que usam dos serviços gratuitos da empresa, caso inclusive deste blog.
Outra iniciativa interessante é a da TV Ovo, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O pessoal relatou a experiência com a criação de uma rádio comunitária que circula nos ônibus da cidade, chegando a 15 mil pessoas diariamente. O conteúdo é produzido por jovens treinados pelo Ponto de Cultura, que se reúnem semanalmente para a reunião de pauta.
Uma iniciativa que eu conhecia superficialmente pela televisão também estava presente: o programa Quiproquó, exibido pela Rede Minas e produzido pela OSCIP Instituto Dubem. Trata-se do único programa jornalístico de televisão que noticia exclusivamente o tema teatro. Além de Minas Gerais, a produção é chega a outros estados como Paraná e Distrito Federal por algumas tevês públicas. Em 2009, mesmo aprovado pelas leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura, o projeto correu o risco de parar pela falta de patrocínio e se manteve graças ao recurso do prêmio de mídias livres.
A discussão que se seguiu após as apresentações foi marcada por algumas dualidades que se estabeleceram. Um exemplo: até que ponto estamos debatendo mídias livres se ficarmos presos na crítica ao modelo tradicional de mídia? Se elencarmos Estadão, Folha, Globo e Abril como os Judas da comunicação e centrarmos o debate em torno da crítica aos métodos e conteúdos destas instituições, estaremos apenas combatendo um modelo e não propondo a construção de um novo.
A questão é um pouco mais complexa, pois, na sociedade altamente mediatizada em que a gente vive, é muito complicado propôr uma nova ação de midialivrismo sem contestar e estabelecer a comparação com a mídia hegemônica tradicional. Porém, aceitar que estamos à margem de uma estrutura centralizada de comunicação é também negar que existe um outro centro, que pode se fortalecer a partir da tão falada articulação em rede.
Cabe destacar que o debate foi marcado pela presença de gente de peso nessa discussão, como a professora Ivana Bentes, da UFRJ, e o jornalista Renato Rovai, da revista Fórum. Este último levantou o discurso otimista, sustentando que o momento de discussão sobre mídias livres é único, algo impensado mesmo no início desta década.
Ao fim da discussão, o articulador do Pontão iTeia, Pedro Jatobá, interviu após a discussão sobre hegemonia e contra-hegemonia. Ele comentou sobre um tema que já levantamos neste blog, sobre a centralização das informações no Google. Ele lembrou que existe uma cláusula nos termos de adesão aos serviços gratuitos, como o Youtube, dizendo que o Google pode se apoderar dos direitos patrimoniais de todas as obras veiculadas no seu megaportal de vídeos. Ou seja, damos o direito a eles de comercializarem as obras que produzimos.
Ficou registrado, por fim, o conflito, pois todos concordaram nos riscos da hegemonia do Google, mas relataram que usam dos serviços gratuitos da empresa, caso inclusive deste blog.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Mídias Livres e Cultura Digital: querem retroceder nos avanços da internet
Participei hoje cedo do encontro de mídias livres e cultura digital da Teia. O debate começou já engajado, objetivo e com muita lenha na fogueira, deixando os ânimos já agitados. Algumas observações dos participantes merecem destaque. A começar pelo colega Marcelo Branco, da Associação Software Livre, que levantou a bandeira da liberdade na rede.
Conforme ele informou pelo twitter, países liderados pelos Estados Unidos e pelo Japão estão se movimentando para construir um acordo comercial em nível mundial que dê garantias contra pirataria, envolvendo limitações a compartilhamento de arquivos em redes P2P. Querendo ou não, trata-se de uma versão globalizada do famigerado AI-5 Digital, aquele projeto de lei do Senador Azeredo que proíbe práticas corriqueiras na rede e burocratiza o acesso à internet.
Sob a máscara do combate à pirataria se esconde, na verdade, um temível lobby da indústria do copyright que visa ceifar a possibilidade de criação de novas redes de fruição e distribuição de bens culturais. Sim, pois a base da indústria cultural (leia-se Hollywood, adjacências) não está no domínio da produção de filmes, mas, sim, no monopólio da distribuição, que garante ao mesmo filme ser exibido em São Sebastião do Paraíso, Luanda e Bangladesh simultaneamente.
Então os hackers criam uma rede de computadores contra-hegemônica que se espalha de forma exponencial pelo mundo inteiro, facilitando as comunicações e o intercâmbio cultural. A base do sucesso dessa rede está na facilidade de se copiar, de compartilhar dados e informações. O que fazem os barões da indústria cultural? Tentam criar mecanismos para barrar o que a rede tem de mais fantástico: a facilidade de compartilhamento. É ou não é um contrassenso? Por que retroceder num processo que vem fazendo tão bem para a humanidade?
O tom do debate correu também para o Plano Nacional de Banda Larga, o qual vem sendo achincalhado pela grande mídia brasileira, reconhecidamente adepta do lobby do copyright. A revista Época, por exemplo, publicou recentemente uma "matéria" comparando a estratégia de federalização de redes de fibra ótica pela Telebrás com o ressurgimento de Jason e Fred Kruegger.
Por trás do discurso canhestro está o interesse das empresas de comunicação, que vêm podando por meio de filtros o uso de tecnologias de voz sobre IP (como o Skype) e de compartilhamento de arquivos em P2P (como torrents e emule). Essas empresas simplesmente criam barreiras para os usuários, piorando a qualidade da conexão de Voip. Dizem que é para garantir a qualidade da conexão, mas, evidentementemente, estão tremendo nas bases, com medo de que o acesso livre à internet reduza os ganhos bilionários que têm com as vergonhosas tarifas de celulares.
Quem assina internet via rede 3G, por exemplo, pode checar que, no contrato, está expresso que o usuário não tem direito a usar tecnologia de Voz sobre IP nem compartilhamento de arquivos por torrent? Qual é a briga, então? A garantia da neutralidade da rede: nenhum servidor poderá definir critérios mercadológicos para podar uma ou outra tecnologia de comunicação. A rede deve ser livre, sem filtros.
Atualização às 20h: à tarde, o debate foi dividido. O pessoal de Mídias Livres foi separado da galera do Cultura Digital. O foco do debate mudou um pouco, passando das políticas públicas de internet, mais amplo, para o tema do papel das mídias alternativas no Brasil, mais específico. A roda contou com representantes do MinC, que ressaltaram o fato de o Brasil ser o único país (pelo que se sabe) a contar com políticas públicas de fomento (incentivo financeiro) a mídias livres.
Discutimos também o papel dos novos meios como incentivador da leitura crítica da mídia pela comunidade. Muitos blogs ditos alternativos criticam a mídia tradicional, mas fazem isso pautando-se pela própria grande mídia, repercutindo diariamente o que ela informa. Em ano eleitoral, este ponto fica ainda mais visível. Ressaltamos o fato de os pontos de mídia livre terem que se dedicar à cobertura das construções de políticas públicas, inclusive propondo temáticas que suscitem a discussão destas políticas.
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