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quarta-feira, 31 de março de 2010

Teias da Oralidade #9



"Sou artista plástica, sou humilde, mas atrevida. Humildade é virtude, mas não pode ser subserviente, humildade não é sinônimo da cabeça baixa. É lindo quando as pessoas vêm de baixa e cresce. Nosso Ponto de Cultura é o Linha na Serra. Não foi nossa associação que escreveu a gente do edital de pontos de cultura, foi a secretaria de cultura da nossa cidade. Agora eles querem usar nosso ponto como plataforma política. Nossa associação tem que ser autônoma. Eu quero que meus associados tenham o que é necessário. O direito do povo é o direito do povo e eles não sabem se defender.
Meu nome é Ana Pimenta, eu ardo, mas tempero."

Depoimento de Ana Pimenta - Ponto de Cultura Linha da Serra - Pacuti (CE)

Teias da Oralidade #8




"Sou professora do ensino médio, nunca estudei na universidade e acho isso muito bom, fiz outras coisas mais prioritárias. Trabalho com os índios tremembé, a arte deles é muito linda. Nosso ponto dá oficinas nas escolas municipais e estaduais do Ceará contando as histórias dos povos indígenas, mostrando sua arte, cultura e dança, como a dança do Torém. A proposta é fazer uma reflexão sobre a questão indígena. Aqui no Ceará as crianças desconhecem seus povos indígenas. O Ponto de Cultura ampliou a visibilidade dos índios tremembés. Antes, eles atuavam só nas comunidades deles, agora, eles atuam nas escolas, universidades. Sou missionária, menos católica, mais indígena."

Depoimento de Maria Amélia - Ponto Cultura Nossos Saberes, Nosso Futuro - Fortaleza

segunda-feira, 29 de março de 2010

Teias da Oralidade #7



Sou artista visual e designer. Faço parte do Ponto de Cultura Somos Comunicação, Saúde e Sexualidade. Somos o primeiro ponto de cultura LGBT do Rio Grande do Sul. A SID (Secretaria da identidade e Diversidade Cultural) e as ações do Cultura Viva botaram luz sobre o segmento LGBT. Antes a identidade artística da cultura LGBT ficava restrita aos guetos, hoje começa a gerar uma reflexão sobre o fazer cultural deste segmento.

Depoimento de Sandro Ka - Ponto de Cultura Somos Comunicação, Saúde e Sexualidade

Teias da Oralidade #6


"Sou benzedeira, parteira, lyalorixá e mestre griô. Meu terreiro é o Ilê Axé Oyá Togum.
A primeira imagem que tenho deste patrimônio é um bando de mulheres pretas velhas, vestidas de branco, ensinando para as crianças as histórias dos orixás. Tudo que aprendi foi com minha avó Bernardina. Nosso Ponto de Cultura é o Coco de Umbigada - Ensinamentos de Mãe Preta. Há 20 anos, quando o povo nem sabia o que era ponto de cultura, nós já éramos ponto de cultura.
Eu acho que os pontos de cultura são uma grande articulação. Nós podemos mudar as diretrizes do país. Nós podemos mudar a história deste país."

Depoimento de Mãe Lúcia de Oyá - Ponto de Cultura Coco de Umbigada - Ensinamentos de Mãe Preta.

sábado, 27 de março de 2010

Teias da Oralidade #5



"Desde pequenininha sou ligada na cultura. A minha infância foi com muito brincadeira de roda. A gente vai sendo mordido pelo bichinho da cultura. Sou educadora e nosso ponto tem o objetivo de identificar, registrar e valorizar o patrimônio imaterial das rezadeiras e raizeiros da Comunidade de Ilumiar, de Nova Friburgo.
O ponto de cultura é um grande desafio pessoal e coletivo, vai se ampliando igual uma teia mesmo. Esse é o primeiro encontro que participo e estou impressionada, vai muito além do que eu imaginava. É igual ao que o Célio Turino falou, é potencializar com afeto e a cultura popular é um exemplo disso."

Maria Luiza - Tesouros da Terra - Nova Friburgo (RJ)

Teias da Oralidade #4






"Sou aldeia Itaquatiara, nação Tabajara. Lá são 25 famílias, 244 pessoas, com as criancinhas tudo regitradinhas. Nossa terra fica entre o Ceará e o Piauí. Há mais de 300 anos fomos tudo expulsos de lá. Cada um foi para um canto. Agora nóis tá tentando resgatar nossas origens. Nóis tem o direito a terra para resgatar nossas origens, há mais de 5 anos tamo reivindicando isso, mas falta o papel para ter nossa terra de volta. Vamo ver se agora que a gente é ponto de cultura fica mais fácil."



Seu José Guilherme - Redes Indígenas - Piripiri (PI)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Teias da Oralidade #3

“Sou músico, trabalho com cultura popular. O coco é dança, ritmo, canto... Desde de criança tô dentro do coco. Quando criança via os velhos fazendo seu coco, mas não sabia dançar e tocar os instrumentos. Começava a pular, assimilando a batida, observando os mestres. Já adulto, comecei a pesquisar outros ritmos e criamos nossa própria batida. Graças, hoje tem uma nova continuidade, com mais apoio do governo, maior incentivo e isso enriquece as culturas.”

Quinho Caetés - Ponto de Cultura Coco de Umbigada - Olinda

Teias da Oralidade # 2


"Nós trabalhamos com resgate e registro das manifestações culturais das comunidades de Terreiros. Teatro, dança, música, tradição oral. Nosso objetivo é a inserção destas comunidades na cultura da cidade. Antes de virar Ponto de Cultura eles não participavam da vida social e cultural de Itabuna."

Luis Dantas (Lula) do Ponto Cultura em Ação - Itabuna

Teias da oralidade #1


"Fazemos rede de travessa, crochê. Isso vem de família, é tradição de família. Desde criança via mamãe trabalhando em casa, ela já fazia a rede. Fui crescendo, vendo e aprendendo com a família. Depois que virou Ponto de Cultura teve mais facilidade, foi melhor para as vendas, teve oportunidade de levar nossas artes para fora."

Rita de Cássia - Ponto de Cultura Artistas da Vida - Itarema (Ceará)